“Intrigante, misterioso, sangrento, obscuro... Esses são só alguns dos adjetivos que caracterizam Era da Ferrugem, uma HQ brasileira q...

Imagem 1

“Intrigante, misterioso, sangrento, obscuro... Esses são só alguns dos adjetivos que caracterizam Era da Ferrugem, uma HQ brasileira que você precisa conhecer.”

Se você acha que toda HQ/livro escrita por algum brasileiro é ruim, então reveja seus conceitos. Porque hoje eu preciso compartilhar com você uma coisa chamada Fatos Intrigantes da Era da Ferrugem. Ambientado em um clima obscuro cheio de assassinatos bizarros e acontecimentos medonhos, onde acompanhamos o jovem Piet em busca de respostas para todos os fatos que o interligam de um jeito bem esquisito.
É uma série de webcomics, criada e produzida por Samuel Fonseca e disponibilizado gratuitamente no próprio site da HQ! O mais legal é que o site foi feito especialmente para a HQ, ou seja, não há aquela chatice de aumentar/diminuir a imagem toda a vez que mudar de página. E ainda mais: existe trilha sonora, composições feitas exclusivamente para Era da Ferrugem por Samuel Fonseca, no qual você pode ouvir a música que o protagonista estava ouvindo em certo momento e músicas selecionadas para realmente o fazerem imergir na história. Como comecei a ler HQ’s há pouco tempo, confesso que achei os traços um pouco diferentes pelos quais eu estou acostumada, mas de certa forma os amei. Acredito que combinou muito bem com a história — que, por sua vez, é mais sombria.
Tudo começa quando Piet (nosso protagonista) resolve convidar uma garota para sair e acaba indo a uma festa que ela o chama, um evento que ocorre dentro de uma igreja. Quando por fim ele chega lá, Sophia dá uma grande esnobada no cara, o chamando de seu fã e tudo o mais. Piet fica indignado e triste e, para piorar, descobre que a tal Sophia tem namorado e que ela apenas o usou para fazer ciúme nele. Acontece que o namorado dela é o maior babaca e Piet acaba saindo de lá furioso e entristecido. Nada de mais até aí, não é mesmo? É que as coisas começam a ficar esquisitas depois.
Quando adolescente Piet adorava desenhar, fazer personagens de quadrinhos. Criava vários personagens e aqui damos destaque ao Dark Justice, que acabaria com as pessoas que fazem injustiças e maldades com as outras. O fato é que Piet nunca mostrou tais desenhos, apenas com exceção de seus pais e seus amigos. E então Piet descobre que Sophia e seu namorado foram brutalmente mortos num túnel, postos de cabeça para baixo, nus e com um desenho como background daquilo. E este desenho, leitores, é de Piet.


Imagem 2

O desenho dele estava lá, no meio daquela cena de assassinato, exatamente como Piet o havia desenhado no papel; o Dark Justice. Mas ele tem certeza de que não foi ele quem os matou, ele sabe disso, não sabe? Então como isso foi acontecer? Seus amigos não fariam isso... Não é mesmo? Entretanto, de alguma forma, ele sabe que aquele desenho naquela cena do crime tem alguma coisa a ver com ele. Mas o quê? Piet não sabe, mas tem a total certeza de que vai descobrir.
Conforme os capítulos vão passando, mais mistérios vão surgindo, peças soltas de um quebra-cabeça complexo. Eu não sou tão boa com mistérios, então demorou um bocado para descobrir o que estava acontecendo. O desfecho é incrível, algo inimaginável. Foi algo insano, diferente, surpreendente.

Imagem 3

Vale destaque as músicas compostas por Samuel Fonseca. Algumas casam perfeitamente com as cenas. A minha preferida, sem sombra de dúvidas, é Stained Lineage, que faz o fundo da minha cena favorita em Era da Ferrugem, que eu gosto de chamá-la como “A Libertação em Paper Kup”. Apesar do título não parecer muito atrativo e até meio cômico, garanto a você que quando ler vai entender do que eu estou falando!


É interessante também notarmos o sentimento de Piet nessa busca por respostas. Depois do acontecimento em Paper Kup, ele decai de uma forma bem triste. As ameaças tomam conta da sua mente, aparições o deixam maluco, ele entra em um tornado de sentimentos tristes, onde um levanta o outro, o levando cada vez mais para o fundo do poço.

Imagem 4

Personagens memoráveis, uma trama misteriosa e obscura, uma trilha sonora incrível e cenas icônicas... O que mais você está esperando para ler essa HQ?

Para ler Era da Ferrugem, clique aqui. Boa leitura!

Então, leitores, infelizmente nosso tempo acabou! Mas você pode comentar o achou, se está disposto a ler ou se leu e tem mais alguma ideia para trocar (alguma teoria da conspiração, uh? XD). Um abraço!



 Este post foi escrito por Rebeca Pereira.


Recentemente, após muita insistência , consegui ler As Mentiras de Locke Lamora . Mas vá com c...


Recentemente, após muita insistência, consegui ler As Mentiras de Locke Lamora. Mas vá com calma: isso não quer dizer que a obra é terrível, ou que a escrita me fez sofrer. Aparentemente esse é o meu jeito de tratar meus futuros autores favoritos: eu tento lê-los, desisto duas ou três vezes, até que por fim resolvo ir até o fim e viro a última página vertendo mais lágrimas do que seria humanamente possível.
Aconteceu com O Nome do Vento, aconteceu com A Guerra dos Tronos e agora também aconteceu com As Mentiras de Locke Lamora. Atentando ao fato de que eu perdi o livro duas vezes – sim, foram duas, mas eu mencionei apenas a primeira vez aos meus amigos leitores e foi o suficiente para ser zoada até hoje por isso. Então, amiguinhos, acabo de dar material para mais zoeira. Porque sim, eu perdi o livro duas vezes, o que nunca antes havia acontecido. Culpa de Calo e Galdo Sanza, em primeiro plano, mas tenho certeza que também tem dedo do Treze Sem Nome nessa história.
Enfim. Scott Lynch escreveu As Mentiras de Locke Lamora em 2006, mas o lançamento no Brasil ocorreu apenas em 2014 através da Editora Arqueiro. Não à toa foi obra finalista do World Fantasy Award, e Lynch foi nomeado ao Prêmio John W. Campbell para Melhor Escritor Estreante. Ele possui uma escrita dissimulada nos momentos certos e repleta de sentimentos quando oportuno, embora ainda acredite piamente que ele não guarde nenhuma emoção dentro daquele coração – se você leu a obra, concordará comigo. Foi recomendado tanto por Rothfuss quanto por Martin, o que quer dizer muita coisa nesse segundo caso, pois ambos (Martin e Lynch) são assassinos insanos e impiedosos.
Certo. Agora me deixe explicar a você o porquê da minha convicção quanto à inexistência de um coração que palpita dentro desse autor doravante denominado Scott Lynch (O Desgraçado, em alcunha que eu mesma inventei). Ah, contém spoilers. MUITOS SPOILERS. Você foi avisado. 


Arte de Kuro-art.
A morte de Nazca BarsaviNazca Barsavi era a única filha do sexo feminino de Capa Barsavi, o homem responsável por todo o submundo de crimes de Camorr, lugar onde nossa história está situada. Cada gangue e larápio que circulava pelas ruas da cidade respondia ao seu comando. Locke não era apenas amigo de Nazca, mas também foi o seu primeiro pezon (algo como servo). De criança obstinada transformou-se em mulher resoluta, mais adequada a suceder o pai como Capa do que os irmãos, não fosse o fato de ser mulher...
E teve uma das mortes mais humilhantes.
Veja bem, eu não acho que tenha visto o suficiente dela para ficar muito abalada com sua morte. Mas não foi isso que chocou, e sim o modo como foi feito, por quem foi feito: pelo Rei Cinza, antagonista desta história, que se consolidou no submundo de Camorr como uma figura lendária e envolta em misticismo. Seu primeiro passo foi matar os líderes das gangues da cidade subordinados ao Capa Barsavi, mas seu golpe final para provocar o homem foi justamente o assassinato da única filha deste.
Porém ele não apenas a matou. Ele a devolveu “lavada”: num barril fechado e cheio até a borda de urina de cavalo. O que causou sua morte pode até ter sido a picada do falcão-lacrau do Mago-Servidor que estava serviço do Rei Cinza, mas o significado de como foi devolvida foi o que impactou. A real razão de seu assassinato e provocação ao Barsavi aparece depois e demonstra o nível de perversidade do Rei Cinza. Talvez Joffrey Baratheon, em seus dias mais insanos, tivesse alguma ideia parecida só por diversão.
– Olhe só o que aquele filho da mãe fez. Ela era a memória viva da mãe. Minha única filha. Eu preferia estar morto a ver isto. – Lágrimas começaram a rolar pelas faces do velho. – Ela foi... lavada. (...) Não apenas morta, mas afogada. Afogada em mijo de cavalo.”



Capa Barsavi com Locke Lamora e Nazca Barsavi ainda crianças. Arte por qess-sie.
A represália ao "Rei Cinza". Claro que Capa Barsavi não podia ficar inerte diante da crueldade ocorrida com sua filha. Então aparentemente concordou com a proposta do Rei Cinza – que afirmara em uma carta, enviada junto com o cadáver de Nazca, que aquela era uma espécie de convite para que se “conhecessem” pessoalmente e que o assassinato covarde fora a única forma que encontrara de atrair sua atenção e garantir que ele apareceria ao encontro. Dito e feito, Barsavi resolveu atender ao seu convite. A diferença era que o desgraçado do Rei Cinza já havia combinado anteriormente com Locke Lamora, obrigando o Vigarista a comparecer em seu lugar. Ou seja, Barsavi teria sua vingança – mas não contra quem pensava.
À essa altura do livro, eu já estava completamente afeiçoada a Locke. Foi com muita dor no coração que li a desgraça que ele viveu. A agonia que senti nesse momento só é comparável a um trecho li um tempo atrás, em que Kvothe vive uma tragédia familiar ainda criança em O Nome do Vento, também da Editora Arqueiro. Presenciar a desgraça acometendo as vidas desses dois personagens, que aprendi e gostei muito de amar, foi como ter uma espada enfiada no meu coração.
“– Vejam só o choro do Rei Cinza – sussurrou Barsavi. – Vejam só os soluços do Rei Cinza. Visão que irei guardar com carinho até a última hora do dia da minha morte (...) Nazca por acaso soluçou? Por acaso chorou quando você a matou? Não sei por quê, mas acho que não. (...) Ele vai ter o mesmo destino de Nazca: vai morrer como ela morreu, só que pelas minhas mãos!
Barsavi segurou Locke pelos cabelos e inclinou seu rosto em direção ao barril. Por um instante passageiro e irracional, Locke sentiu-se grato por não ter mais nada no estômago para vomitar. A ânsia causou espasmos de dor nos já doloridos músculos de sua barriga.

– (...) Com uma pequena diferença, seu filho da puta. No seu caso não vai haver veneno. Nenhuma saída rápida antes de eu jogar você lá dentro. Vai poder sentir o gosto o tempo todo. O tempo todo em que estiver se afogando.”

É. Então basicamente Rei Cinza pensou desde o início em matar Nazca, enfurecer Capa Barsavi, mandar Locke em seu lugar, para que então Barsavi pudesse assassiná-lo pensando que o Vigarista era o próprio Rei Cinza. Um modo bem eficaz de eliminar a única ameaça séria aos seus planos, ao mesmo tempo em que não teria mais o submundo de Camorr atrás de si, já que todos pensariam que estava morto. Cruel o suficiente, não?
Não. Não foi o suficiente para o Rei Cinza.



Os gêmeos Sanza e Pulga. Arte por Fictograph.
A morte de Calo, Galdo e Pulga. Essa aqui foi para acabar de vez com meu reservatório de lágrimas. Quase matar Locke e colocá-lo numa situação em que ele só não morreu por ser o protagonista da história foi coisa pouca para o Rei Cinza. Ele quis ir mais além. Por pura perversidade, porque ele com certeza devia imaginar que os Sanza não representariam tanto perigo sem Locke para comandá-los, ele resolveu matar os gêmeos. 
Foi desumano. Calo e Galdo foram, durante toda a obra, o grande alívio cômico da história. Matá-los só se torna equiparável a matar Rony Weasley logo na metade de A Pedra Filosofal. Eles não foram os personagens principais do livro, mas conquistaram seu lugar no coração de cada leitor – tanto que não vi um único dizer que não gostou deles. Charmosos, fortes, inteligentes e divertidos: o assassinato deles foi um golpe duro para Jean, Locke e Pulga, que de repente se viram desestruturados. O que seria dos Nobres Vigaristas sem os irmãos Sanza? Eu sinto que vou chegar ao fim da saga imaginando cada comentário que eles teriam feito nos livros que ainda lerei.
“Calo e Galdo estavam caídos de costas ao lado da caixa, encarando a semiescuridão. Tinham a garganta aberta de orelha a orelha com dois cortes limpos – dois ferimentos gêmeos idênticos.”

Assassinar Calo e Galdo, entretanto, ainda não tinha surtido o efeito desejado por Lynch, O Maldito. O que ele resolveu fazer? Tirar Pulga da gente. O moleque mais novo dos Nobres Vigaristas, que estava trilhando seu caminho para se tornar de vez um deles, aprendiz cheio de energia, garra e vontade de viver. Uma das partes mais emocionantes foi justamente sua despedida de Locke – o momento em que eu precisei fechar o livro e ver alguns episódios de Pokémon para espairecer, caso contrário desidrataria.
“– Eu sou um Nobre Vigarista – disse Pulga devagar, com raiva. – Ninguém se mete conosco. Ninguém nos derrota. Você vai nos pagar!”

Pulga foi um herói no começo do livro, em seu auxílio no roubo planejado aos Salvara, e na metade também. Quando o capanga do Rei Cinza apareceu nas ruínas da Casa de Perelandro, refúgio dos Nobres Vigaristas, armado com uma balestra destinada a Pulga para em seguida matar Jean, ele não contava com a presença de Locke. Se não fosse tão impulsivo e corajoso, talvez Pulga continuasse vivo. Mas ele não conseguiu se conter e tentou atacar o capanga. Isso lhe rendeu uma flecha no pescoço e uma morte dolorosa.
“– Me perdoe – balbuciou Locke entre as lágrimas. Que os deuses me amaldiçoem, Pulga, isso tudo é culpa minha. Nós poderíamos ter fugido. Deveríamos ter fugido. O meu orgulho... Você, Calo e Galdo... Essa flecha deveria ter sido pra mim.
– O seu orgulho – sussurrou o menino. – É justificado. Nobre... Vigarista. (...)
– É justificado – cuspiu Pulga. O sangue já lhe escorria pelo canto da boca. – Eu não... não sou mais um segundo?   Não sou mais... um aprendiz? Sou um Nobre Vigarista de Verdade?
– Você nunca foi um segundo, Pulga. Nunca foi um aprendiz. – Locke deu um soluço, tentou alisar os cabelos do menino para trás e ficou consternado com a marca de sangue que sua mão deixou na testa pálida. – Seu idiotinha corajoso. Seu vigaristinha idiota e valente. Isso tudo é culpa minha, Pulga, por favor... por favor, diga que é tudo culpa minha.
- Não – murmurou Pulga. – Ai, meus deuses... como dói... dói tanto...
O menino parou de respirar enquanto Locke o segurava. Não falou mais nada.”

Em memória de Pulga. Arte por Kejablank.




Capa Barsavi. Arte por Dejan-Delic.
A morte da família Barsavi. Certo, Vencarlo Barsavi estava longe de ser um homem exemplar – mas até poderia ser considerado assim dentro de seu ofício duvidoso. Eu não posso dizer que me afeiçoei ao personagem, porque sinceramente não me importo muito com ele. Agora o modo com sua família foi dizimada da face de Camorr – isso sim é algo que choca, independentemente da pessoa com a qual está ocorrendo.
O Rei Cinza revelou-se na verdade Capa Raza, irmão gêmeo das Irmãs Berangias, que eram guarda-costas pessoais de Barsavi que há anos conquistaram sua confiança. Os trigêmeos arquitetaram o plano de vingança por vinte anos, sem pressa alguma (inclusive Raza significa Vingança em terim do trono, idioma presente na obra). Como eu comentei anteriormente, Barsavi não foi um homem exemplar e em sua caminhada ao topo acabou pisando em calos de muita gente. Sua omissão, em algum momento dessa subida, ocasionou a morte dos pais e outros irmãos dos trigêmeos. Eles não esqueceram isso e dedicaram o restante de suas vidas a preparar-se para o momento derradeiro em que se vingariam não apenas do homem diretamente responsável pela chacina, mas pelos indiretamente responsáveis também – toda a nobreza de Camorr.
Enfim. Pachero e Anjais, os filhos restantes de Barsavi, foram assassinados de modo impiedoso pelas Irmãs Berangias. Uma delas esmagou a cabeça de Pachero acima da orelha esquerda, enquanto a outra enterrou a ponta de picareta do seu machado na nuca de Anjais. Tudo isso diante de Barsavi e toda a sua corte, em um momento de comemoração à suposta morte do Rei Cinza, enquanto um dos tubarões da coleção particular do (por enquanto único) Capa de Camorr dilacerava o seu braço direito.
O Rei Cinza/Capa Raza deu o “golpe da misericórdia” cravando um punhal no pescoço de Barsavi e assim toda a sua geração encontrou um fim prematuro e doloroso.
É. Após ver o tanto de mal que os Berangias causaram, retifico o que disse no começo deste tópico: eu não ficaria nada triste se esse fosse o modo pelo qual os trigêmeos morressem. Na verdade, ficaria bem feliz. Nem o que Jean faz depois compensou, na minha opinião...


 Então, gente... As Mentiras de Locke Lamora foi uma obra que reuniu mortes que eu só esperava acontecer no terceiro livro, talvez. Chorei, fiquei arrasada e entendi que a tendência desses autores de fantasias e aventuras épicas contemporâneos é sempre colocar mortes mais dolorosas de personagens queridos como modo de tortura psicológica para com os leitores. É super efetivo, viu? Parabéns, Lynch. Você detonou meu coraçãozinho. Poxa, fingia que os Sanza e Pulga morreram. Fazia o Locke pensar que sim. Depois eles apareciam vivos e todo mundo ficava feliz – viu que incrível? Mas não. Você prefere ser influenciado pelo seu coleguinha de escrita, George R. R. Martin. Eu desaprovo totalmente essa conduta. Mas ele...

Resultado de imagem para george martin like it

Mas e quanto a você, leitor? Qual foi a parte mais devastadora de As Mentiras de Locke Lamora para você? E para o leitor corajoso que leu até aqui mesmo sem ter lido o livro ainda (há pessoas que gostam de spoilers, eu mesma amo), a minha recomendação final é: leia. Mas pratique desde a primeira página o desapego. Não seja como eu, que estou nessa vida há algum tempo e ainda não aprendi que não posso amar personagem algum sem que a possibilidade de ele morrer de modo cruel aumente em cinquenta por cento.

Livros da série: As Mentiras de Locke Lamora || Mares de Sangue || República de Ladrões || The Thorn of Emberlain || The Ministry of Necessity || The Mage and the Master Spy || Inherit the Night.

 


Durante as décadas de 1980 e de 1990 a série de livros Vaga-lume fez um grande suc...



Durante as décadas de 1980 e de 1990 a série de livros Vaga-lume fez um grande sucesso com o público infanto-juvenil (inclusive comigo :D), obras como A Ilha do Tesouro, A Ilha do Medo e O Escaravelho do Diabo foram responsáveis por introduzir muitas crianças ao fantástico mundo da leitura. A escritora nacional, Ana Lúcia Merege, consegue com o seu livro Pão e Arte resgatar aquela sensação provocada pelos livros da Vaga-Lume.
Pão e Arte conta a história de uma trupe de artistas que vagam pelas cidades de um mundo fictício, atrás de plateia e moedas no chapéu. Ao longo da narrativa o grupo inicial vai se alterando pelos mais diversos motivos. A história é simples, sem grandes tramas escondidas e sem reviravoltas. E quem falou que história simples é ruim? Neste livro a simplicidade é seguida pela qualidade. Assim como a série Vaga-lume se mostrou ideal para os leitores mirins, Pão e Arte também surge como um belo convite. Adultos também podem se beneficiar da leitura, principalmente durante a tão temível ressaca literária, estado mental em que estamos ligados a algum livro lido recentemente (normalmente com uma trama elaborada) e que não conseguimos iniciar uma nova jornada, mas queremos ler algo. Um livro simples pode ser a solução ideal.
A história é narrada em primeira pessoa pelo protagonista Zemel, um garoto de 10 anos, enquanto que os adultos olham para a estrada com medos e preocupações, Zemel enxerga apenas oportunidades de aventura. O olhar infantil sobre temas adultos se faz presente por toda a obra. Cyprien de Pwilrie assume o papel de mestre do Zemel, versado nas mais diversas artes (cura, interpretação, fantoches e por ai vai) surge como líder do bando e responsável direto pelas soluções dos problemas, um sujeito que se torna ainda mais carismático ao ser descrito pelos olhos do Zemel. Além do pupilo e do mestre temos outros personagens surgem ao longo do livro, cada um com sua peculiaridade descrita de forma simples e bem feita.



O livro possui um acabamento muito bonito, a capa é linda, a diagramação perfeita e a folha é um pouco grossa e gostosa ao tato. A leitura flui com uma dinâmica rápida, acabei lendo o livro de 222 páginas em dois dias, mas com tempo disponível é possível ler em apenas um dia.
Além de Pão e Arte, a autora escreveu: A Ilha dos Ossos, O Castelo das Águias, Ana e a Trilha Secreta. Ana Lúcia Merege também é responsável pelos livros do universo de Athelgard, atualmente publicados pela editora Draco.
Para saber mais sobre a autora e os livros dela acessem o blog http://castelodasaguias.blogspot.com.br/.


Post escrito por Alex Almeida da Silva.



Todos nós iremos morrer um dia .  Essa é, talvez, a única certeza que temos na vida. ...


Todos nós iremos morrer um diaEssa é, talvez, a única certeza que temos na vida. Não importa o quanto você ame viver, ou o quanto ame alguém e queira que a pessoa esteja ao seu lado para sempre. Isso não irá ocorrer. A morte virá, pura e simplesmente, e essa é uma coisa com a qual todos nós teremos de lidar um dia.
Confissões do Crematório – Lições para toda a vida (Smoke Gets in Your Eyes: And Other Lessons From Crematory no original) vem, em parte, para derrubar todo o tabu que envolve um fato certo e claro: a morte. Se prematura ou não, natural ou violenta, ela sempre estará presente em nossas vidas. Caitlin Doughty tenta mostrar que pensar assim não é pessimismo, e sim encarar a realidade. Se é inevitável, por que temos tanta dificuldade em abordar o assunto? Um tema que à primeira vista parece envolto em morbidez – mas que você logo descobre que é necessário ser abordado.


Recentemente, saindo do Fórum Criminal da minha cidade, me deparei com uma senhorinha precisando de ajuda para descer um lance de escadas porque suas pernas estavam cheias de “astose”. Eu a ajudei, seguindo seus passinhos curtos, e aproveitei aquele tempo para conversar um pouquinho. Ela me contou que recentemente havia perdido a única filha. O acidente que ceifou uma vida jovem, ainda na flor da idade, soa bizarro: descarga elétrica durante o banho. Isso mesmo: a moça morreu no chuveiro elétrico. O mesmo que eu uso, que você que está lendo deve usar em dias frios. Naquele dia, a moça atravessou a porta do banheiro, talvez pensando em sair perfumada e renovada após um dia intenso de trabalho – e provavelmente nunca imaginou que jamais sairia viva. A senhorinha, cujo nome não perguntei, narrou sua história com tanta naturalidade que me senti comovida, talvez por não estar acostumada a ver alguém abordar tema tão delicado, especialmente se é recente, sem delongas. Mas ela está certa, afinal, em reagir de modo tão pacífico. A morte, personagem constante em nossas vidas, não pode ser delegada ao papel de mera vilã de quinta categoria. De certa forma, acredito que deve ser respeitada. Ela chegará um dia para todos nós.


Enfim, esse é o tema central da obra. A morte, o modo como a autora encara esse momento. O fascínio pelo assunto que a levou a trabalhar em um crematório por algum tempo, trabalho que descreve minuciosamente em dezenove capítulos. Todas as reflexões que teve e tem até agora; todas as verdades que ninguém quer contar; as descrições detalhadas do ofício, incluindo como embalsamar corpos e o que ocorre com a gordura humana no forno crematório...

“Olhar diretamente nos olhos da mortalidade não é fácil. Para evitar isso, nós escolhemos continuar vendados, no escuro em relação às realidades da morte. No entanto, a ignorância não é uma benção – é só um tipo mais profundo de pavor.”

Caitlin expõe os bastidores da chamada “indústria da morte” estadunidense, que quer apenas lucrar cada vez mais, sem se preocupar com os sentimentos dos familiares dos mortos que passam por esse momento tão delicado... A autora também faz uma varredura mundo adentro com relação aos costumes e a visão que outros povos possuem sobre a morte, desde a antiguidade até os dias atuais. Além disso, ela criou a “The Order of the Good Death”, cujo site você pode acessar aqui, e que se define como um grupo de profissionais da indústria funeral, acadêmicos e artistas que exploram maneiras de preparar uma cultura 'morte-fóbica' para sua mortalidade inevitável.
O livro é recomendado para todo mundo. Até para você que, ao ler essa resenha, chegou à conclusão de que não quer lê-lo. Afinal, não é uma questão de querer – é uma necessidade. Encarar a leitura de Confissões do Crematório é apenas o primeiro passo que todos temos de dar para ver a morte não como uma vilã, mas como aquela amiga que uma hora ou outra chega, trazendo notícia que não queremos receber, mas que nem por isso deixará de ser real. A morte, afinal de contas, não deve ser temida – o terceiro irmão sempre soube disso. Sentir-se em paz com esta personagem permitirá que você viva uma vida em paz, por mais contraditório que possa soar.


harry potter and the deathly hallows the tale of the three brothers
“(...) Já o Terceiro irmão, a Morte procurou por muitos anos, mas jamais conseguiu encontrá-lo. Somente quando atingiu uma idade avançada, foi que ele despiu a Capa da invisibilidade e deu-a de presente para o seu filho. Ele acolheu a Morte como uma velha amiga e acompanhou-a de bom grado, e como iguais partiram desta vida.” Os Contos de Beedle, o Bardo – O Conto dos Três Irmãos

E você, teme a morte?


Compre Confissões do Crematório – Lições para toda a vida na Amazon, no Submarino, na Livraria Cultura ou na Saraiva. Se quiser ajudar o Me Livrando, você pode comprar clicando aqui. Conheça a página oficial da editora no Facebook e adicione Confissões do Crematório ao seu Skoob ou Goodreads.






O livro é composto por 8 contos interligados. Começa com a história de Jonas , um rapaz obcecado...

Resultado de imagem para a sala do tempo renan bernardo
O livro é composto por 8 contos interligados. Começa com a história de Jonas, um rapaz obcecado por sua namorada. Quando ela termina o relacionamento, ele fica desesperado e procura refúgio em uma livraria abandonada, mais especificamente, em uma sala vazia nos fundos. Mas aquela não é uma sala normal: quando alguém se tranca dentro dela o tempo para de passar do lado de fora. Ao descobrir como a sala funciona, Jonas decide usar o tempo para reconquistar seu grande amor. O que ele não sabe é que suas ações despertarão um mal adormecido que trará muita aflição e desespero para toda a cidade e além dela.
O livro é bem curto, tem apenas 160 páginas, além disso, possui uma narração bem leve, dinâmica e o autor não se prende muito aos detalhes. Achei a premissa do livro muito boa. A Sala do Tempo me encantou, quem não gostaria de ter um pouco mais de tempo em algumas ocasiões? Me fez pensar: se eu soubesse da existência de uma sala do tempo, será que eu resistiria a usá-la, mesmo sabendo das consequências? Não tenho tanta certeza.
Os personagens foram bem desenvolvidos, principalmente se os considerarmos personagens de contos, pois cada conto envolve personagens diferentes, os poucos que aparecem mais de uma vez são mencionados de forma breve.
O autor fez uma mudança na forma de nos contar a história: ele já começa o livro nos contando sobre a sala do tempo e sobre o vilão do livro. Eu, particularmente, não gostei dessa mudança. Eu gosto de todo o suspense, de montar o quebra-cabeça aos poucos, de não saber o que ou quem é o vilão/monstro, acho que o maior responsável pelo nosso medo é o desconhecido e que ao descobrirmos o que é, como funciona ou porque faz o que faz, nosso medo diminui.
“- Quem come sorvete não faz mal a ninguém - disse Leo. - Uma coisa que aprendi é que super vilões jamais comem sorvetes ou doces... Nossa... Mas tem bastante mesmo... - Leo pisoteou algumas só pelo prazer de escutar o "craaaaaque" delas quebrando sob seus pés.”
ATENÇÃO, SPOILERS! [Para visualizá-lo, selecione com o mouse todo este parágrafo] Como diz Bane no filme "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge": sem esperança não há medo. E essa é a mais pura verdade, nos primeiros contos, eu ficava aflita pelos personagens, quando eu perdi a esperança de que eles fossem sobreviver, toda a aflição e o medo desapareceram.
Então, embora seja uma leitura gostosa, eu não senti medo, não fiquei apreensiva, pois já sabia o que iria acontecer. Acho que essa é uma leitura indicada principalmente para quem quer começar a ler o gênero e não quer pegar uma obra muito pesada logo de cara ou para quem já lê terror e está em busca de uma leitura rápida e leve.
Sobre o livro: a capa tem tudo a ver com a história, é incrível como depois de ler você descobre como uma capa tão simples pode esconder tantos segredos. As páginas são amareladas, a fonte é grande e confortável. O livro possui índice (sério, eu amo isso) e uma citação no início de cada capítulo.

SORTEIO
Resultado de imagem para a sala do tempo renan bernardo
Foto retirada do blog A Trilha do Medo.
Eu tive alguns problemas pessoais nos últimos meses e por conta deles algumas de minhas resenhas estão atrasadas. Então, como um pedido de desculpas aos autores, ao blog e aos leitores e agradecimento por toda a compreensão: sorteio (porque sorteios deixam todo mundo feliz 😁) de 1 exemplar autografado pelo autor + marcadores.
O sorteio será realizado dia 01 de dezembro, para participar basta:

  • Ter endereço de entrega no Brasil; 
  • Curtir a página oficial do livro no Facebook;  
  • Curtir a página do Me Livrando no Facebook; 
  • Compartilhar a publicação no Facebook; 
  • Comentar esse post (aqui no blog) dizendo porque quer ler esse livro.

* O sorteio será realizado pelos comentários no blog. Será contabilizado apenas 1 comentário por pessoa. 
** O sorteado terá 48 horas para entrar em contato, caso o contato não ocorra o sorteado perderá o direito ao prêmio e o sorteio será refeito. 
*** O blog e o autor não se responsabilizam por extravio dos correios.
Boa sorte!

Este post foi escrito por Alexia Bittencourt Ávila.


Hoje o post é triplamente especial. Um porque marca o retorno após um período bem turbulento q...


Hoje o post é triplamente especial. Um porque marca o retorno após um período bem turbulento que passei; dois porque celebra a parceria que eu tenho com essa editora lindona; três porque no final, tem sorteio. De qualquer um dos livros mencionados como favorito. Só para você   Então vamos logo ao que interessa, que é falar sobre os melhores livros da DarkSide Books na minha opinião, ou seja, aqueles que recomendarei sempre a todos!


Ciclo das Trevas. O que falar dessa série? Oficialmente meu #DarkCrush da vida. Apenas com o primeiro livro conseguiu entrar na minha lista de favoritos, competindo em pé de igualdade com A Crônica do Matador do Rei e As Crônicas de Gelo e Fogo. Foram vários os motivos que facilitaram essa colocação: a escrita de Peter V. Brett, que com certeza não é perfeita, mas encaixou direitinho com minhas preferências literárias. Os personagens cativantes e humanizados, que embora possam ser vistos como heróis da trama, estão bem distantes do conceito literal e gracioso de Bondade Suprema: eles têm defeitos, são egoístas, duvidam de tudo – especialmente de si mesmos. O próprio worldbuilding me cativou, além de outros aspectos como os terraítas, as proteções, as subtramas que se interconectam numa trama maior, fazendo com que os protagonistas trilhem caminhos totalmente diferentes, mas que acabam no mesmo destino duvidoso e repleto de perigos. Os protagonistas Arlen Bales, Rojer Faltadedo, Leesha Papiro são especiais ao seu modo, todos com a infância precocemente encerrada, obrigados a amadurecer num mundo cruel, cheios de traumas e receios, mas que repentinamente se aliam em prol de um objetivo comum: conservar, a custo de muita luta, sangue e dor, o pouco que lhes restou, o pouco que os terraítas não levaram consigo para o Submundo. Isso só no primeiro livro.
O segundo se expande, mostra o outro lado da moeda, e você compreende que o mundo criado por Brett não tem espaço para maniqueísmos clichês. Quem você odiou no primeiro volume começa a ganhar certa compreensão da sua parte no segundo, e até mesmo alguma empatia. Acompanhamos cada passo dado por ele até chegar aonde chegou e ser obrigado a fazer o que fez. E finalmente o compreendemos. Não existem pessoas totalmente más, nem totalmente boas: existem pessoas. Ponto.
Enfim, Ciclo das Trevas é uma obra que eu quero reler muito em breve, mas só quando estiver com tempo de sobra. A vontade que tenho é de ler, enxergar as entrelinhas e fazer um apanhado geral, uma enciclopédia, desse universo rico que a mente de Brett nos entregou. Fazer isso tudo só por diversão mesmo, só porque sei que o material é extenso e o assunto me interessa, sabe? Mas talvez faça isso quando o último livro for lançado. Também penso em postar por aqui um resumo para quem está ansioso pelo terceiro, mas não recorda detalhes do que já aconteceu. E aí, que cê acha?


Serial Killers – Anatomia do Mal. Eu sempre fui fascinada pelo assunto. Um fascínio mórbido, definitivamente, que foi despertado anos atrás quando eu acessava o Medo B com a minha mãe. Sempre fui curiosa em saber como funciona a mente dessas pessoas – elas não sentem como a gente, não têm a nossa visão de mundo. São duras, cruéis e capazes de fazê-lo sumir da existência mundana com um sorriso de satisfação no rosto. Mentes corrompidas, coração sem amor. Não existe uma idade para você ser um serial killer – ou qualquer outra das categorias que aprendi ao ler Anatomia do Mal.
Um trabalho de pesquisa minucioso, muito bem diagramado e perfeitamente ilustrado. O tipo de livro que enche os olhos de quem vê. Atraiu atenção até daqueles que não se interessavam pelo assunto – ou o achavam repugnante. Todo mundo que me via com Anatomia queria dar uma folheada rápida no livro. Claro que, para a maioria das pessoas, bastava uma lida em algum Estudo de Caso para que desistissem rapidinho da ideia de devorar aquelas páginas – e tivessem pesadelos pelo resto da semana. Essa obra reúne os piores exemplares de seres humanos que infelizmente pisaram na face da Terra. Eles estão aqui para provar que não existe outro Inferno senão o que nós mesmos somos capazes de produzir. Para pessoas assim, não há Deus nem Satanás. Eles são seus próprios deuses, existem para satisfazer a si mesmos. E, em minha opinião, têm uma mente totalmente corrompida, quiçá incompreensível – e se você quer tentar decifrá-los, Anatomia é uma obra que precisa conhecer.


Star Wars, A Trilogia. Eu havia tentado infindáveis vezes assistir aos filmes, mas sempre desistia por achá-los entediantes. Antes de ler esses três primeiros episódios – que são os três últimos, vai entender –, eu nunca assisti por completo as obras cinematográficas. Acho que o fato de tanta gente me criticar e perturbar para assistir colaborou para que eu me afastasse cada vez mais da criação de George Lucas... Não tinha qualquer interesse em explorar esse universo até que o livro da DarkSide Books chegou em mim. E olha, esse exemplar encanta e deleita os olhos, viu? Decidi arriscar, dar uma chance. Meu namorado tentou ler primeiro e disse que era chato, entediante, e não se comparava à experiência de assistir os filmes. Fiquei desanimada, mas fui lá e comecei a ler...
... e só parei ao chegar na última página de Uma Nova Esperança. Quis me dar um soco. Como não tinha dado uma chance antes? Por que fui tão teimosa? Bastou um contato ínfimo e eu já estava apaixonada pelo R2-D2, querendo calar a boca do C3PO e revirando os olhos com o egocentrismo do adorável Han Solo. Os estilos narrativos dos três autores diferentes que trabalharam nos livros, tendo como base a ideia de George Lucas, me cativaram. Os três com suas singularidades, contando a história de modos diferentes, mas ainda assim submergindo completamente o leitor. Hoje em dia adoro Star Wars, acho fascinante, mas nunca gostarei tanto dos filmes quanto amo os livros. Meu próximo objetivo é ler Star Wars Legends da Editora Aleph. Explorar esse universo inteiro nunca é demais.


Batman: Arkham Knight. Eu nunca possuí um lado gamer. O mais perto que cheguei disso foi com meu vício em jogos do Mario e do cavalinho – como eu chamava o Yoshi lá pelos oito anos de idade. Tenho um console de PlayStation, embora o use mais para ver Netflix e prefira jogar Guitar Hero. Meu irmão tem uma variedade de jogos que encantaria todo bom gamer, mas que não me atraem. Entre eles está Batman: Arkham Knight, que ele jogou e zerou, empolgado, em poucos dias. Até comentou comigo sobre, mas não dei muita bola.
Aí a DarkSide veio com a proposta de trazer ao Brasil a novelização do jogo. Confesso que pensei em nem solicitar... Até que vi a capa e a lombada das páginas. Pensei comigo mesma que podia não gostar da obra, mas queria ter aquele livro na estante (sim, esse é meu lado ruim de leitora). Pedi. Li. Amei.
Poucas vezes me deparei com uma escrita tão simples e fechada, preto no branco, sem enrolações. Embora eu saiba que não curtiria o estilo narrativo se ele fosse aplicado aos livros de fantasia épica que costumo ler, acho que casou perfeitamente com Batman e a dinâmica dos acontecimentos da obra. Mais um livro da Caveirinha para os favoritos. Talvez não seja indicado para quem jogou Batman: Arkham Knight, por conter diferenças substanciais como coisas que ocorrem no jogo, mas não no livro... Entretanto, com certeza é uma ótima porta de entrada para quem, como eu, ainda não havia se interessado de verdade pelo herói – ou anti-herói? No livro, esse é um grande dilema que Batman enfrenta.


Essa é uma das únicas fotos que tenho do livro, já que doei o exemplar a uma conhecida que passava por uma tragédia pessoal e lia Noiva Fantasma às escondidas, como que num refúgio. Amo de paixão a história, mas não me arrependo de ter passado a obra adiante.
A Noiva Fantasma. Foi o primeiro livro que li da editora, e com certeza aquele que mais me retirou da minha zona de conforto. A despeito do romance contido na obra, eu devorei as páginas porque a autora conseguiu conduzir um livro lotado de aspectos culturais malaios tão interessantes que não tive outra escolha. Conheci a mitologia e os costumes desse povo, o que é o maior ponto a ser destacado. A escrita da Youngsze Choo é muito bem arquitetada, assim como o enredo e a cadeia de acontecimentos. Eu diria que esse é um livro capaz de agradar todo mundo, pois aborda aspectos fantásticos e mitológicos para fãs de fantasia, a questão da ficção histórica para quem curte o gênero, além de ter aventura para aqueles que não dispensam um livro de aventura. Há romance, não muito meloso nem exagerado, então ele não afasta quem odeia romances, mas atrai quem os ama... Enfim,  fiquei curiosa por mais livros da autora, e espero que ela seja publicada novamente em breve pela Caveirinha.


Outras menções honrosas que eu me sinto na obrigação de fazer são Circo Mecânico Tresaulti, tão delicado e singular que conseguiu me fazer chorar; Trilogia dos Espinhos, que por enquanto li apenas o primeiro volume, mas já me conquistou; A Guerra da Rainha Vermelha, que só teve lançado por aqui o primeiro livro também, por isso não mencionei como DarkCrush (afinal, não li toda a trilogia); e, por fim, Social Killers, que está longe de ser tão detalhado quanto Anatomia do Mal, mas não deixa de ser maravilhoso – pelo menos para mim, que amo o assunto.

E quanto a você, quais são seus livros favoritos da Caveirinha? Conta aí nos comentários! Se quiser concorrer a um dos cinco livros mencionados acima como DarkCrushes, é só deixar um comentário neste post, compartilhar o link dele em sua linha do tempo no Facebok (só copiar o endereço dessa postagem e colar em seu perfil) e responder o formulário (este aqui). Boa sorte!


 


Isabelle parou no meio da sala e deu uma boa olhada ao seu redor. Não cansava de cont...


Isabelle parou no meio da sala e deu uma boa olhada ao seu redor. Não cansava de contemplar seu novo apartamento: bem localizado, conservado e com um ótimo aluguel para os padrões universitários. Respirou fundo e percebeu o silêncio que pairava sobre si, bem diferente da noite anterior com a festinha de inauguração; lembrou-se também de que não gostava da quietude, sempre sentia uma perturbação interior, algo inexplicável que a deixava mal. Pegou-se pensando em suas amigas republicanas que voltaram para suas famílias naquele fim de semana. A solidão a incomodava, sentia-se impotente e indefesa. Naquele momento, Isabelle disse a si mesma que havia ficado na cidade para ler os textos e dar uma adiantada no TCC e não para sentir-se uma criança medrosa, afinal já tinha seus 23 anos e não deixaria que tolices atrapalhassem seus planos.

Aviso! Contém spoilers relacionado ao primeiro livro (O Império Final).


Aviso! Contém spoilers relacionado ao primeiro livro (O Império Final).

COMPRE CLICANDO AQUI . Meninos e meninas, homens e mulheres, apressem-se para observar o...

COMPRE CLICANDO AQUI.


Meninos e meninas, homens e mulheres, apressem-se para observar o fantástico mundo de Jack Peter e seus monstros.

Há uns dias, vi no Facebook o post de uma moça interessada em ler a trilogia Jogos Vorazes...

Resultado de imagem para livros modinha

Há uns dias, vi no Facebook o post de uma moça interessada em ler a trilogia Jogos Vorazes. Ela pedia opiniões e queria saber se a leitura valia a pena. Recomendei a saga e aproveitei para ler outros comentários. O que vi em meio a raros “leia os livros” e “A leitura é excelente” foi uma enxurrada de pseudo-intelectuais exclamando com todas as forças que Jogos Vorazes virou “modinha”. Oi? 

Prince of Thorns é o primeiro livro da Trilogia dos Espinhos , que já foi resenhada no Me...


Prince of Thorns é o primeiro livro da Trilogia dos Espinhos, que já foi resenhada no Me Livrando pelo Rafa Moraes (aqui, aqui e aqui). A obra do escritor Mark Lawrence se dedica a mostrar a trajetória do protagonista, príncipe Honório Jorg de Ancrath, rumo ao maior de seus objetivos: tornar-se rei (e, mais tarde, imperador).

Em 1998, Steven Spielberg , com o filme O Resgate do Soldado Ryan , criou um marco para os filmes de guerra, quebrou com a visão ro...

Resultado de imagem para livros crônicas saxônicas

Em 1998, Steven Spielberg, com o filme O Resgate do Soldado Ryan, criou um marco para os filmes de guerra, quebrou com a visão romântica e heróica do soldado e trouxe para as telas algo mais real. Spielberg pegou o telespectador e o colocou dentro da guerra, tínhamos a sensação agonizante de fazer parte do batalhão. Medo, desespero e instinto de sobrevivência afloravam em nossos sentidos. Se criar tal imersão nas telas não é fácil, imagina construir essas sensações em um livro? Muito mais difícil e Bernard Cornwell conseguiu com Crônicas Saxônicas.

  Lembro exatamente dos dias que se seguiram à minha primeira leitura marcante. Eu tinha apenas doze anos de idade, ainda vivendo naque...

 
Lembro exatamente dos dias que se seguiram à minha primeira leitura marcante. Eu tinha apenas doze anos de idade, ainda vivendo naquele limiar entre o utópico mundo das possibilidades insanas e a sórdida e complexa realidade. Foram três dias de leitura intensa, devorando páginas e páginas no meio da aula, na hora das refeições e até antes de tomar banho, adiando o momento de ligar o chuveiro enquanto não finalizasse um capítulo. Quando terminei, não engatei imediatamente no volume seguinte – isso era exigir demais de uma criança que nem tinha a leitura como hábito ainda. Mas a todo momento pensava no enredo, e acredito que tenha passado duas semanas me perguntando se meu colega de sala que andava bamboleando por ter problemas musculares nas pernas poderia ser um sátiro.

Você sabia que dia 18 de outubro, a saga As Crônicas de Gelo e Fogo completa 20 anos de exist...

Você sabia que dia 18 de outubro, a saga As Crônicas de Gelo e Fogo completa 20 anos de existência?  Pensando nisso, a Penguim Random House, editora responsável pelos livros lá fora, decidiu homenagear as obras de George R. R. Martin. No mesmo dia 18 de outubro será lançada uma versão lindona de A Guerra dos Tronos cheia de ilustrações. Aqui nesse post você confere as 10 artes que o Vanity Fair exibiu com exclusividade em seu site.

  Você já parou para pensar que tudo na vida envolve música, cada momento tem sua trilha sonora e que mesmo que você não pense sobre na ...

 
Você já parou para pensar que tudo na vida envolve música, cada momento tem sua trilha sonora e que mesmo que você não pense sobre na hora, eventualmente irá pensar? Os nossos tão amados filmes e séries exploram isso ao máximo e aí vem à mente o questionamento: “por que não fazemos o mesmo com os livros que lemos?” 

Rubra, a Guerreira Carmesim  é um lançamento que estou aguardando há tempos. Não, ele não havi...


Rubra, a Guerreira Carmesim é um lançamento que estou aguardando há tempos. Não, ele não havia sido anunciado há meses por alguma editora: é a obra de uma amiga que conheci no Facebook, escritora e ilustradora talentosíssima, Gaby Firmo de Freitas. Sério, essa postagem é provavelmente uma das mais felizes que faço!